quarta-feira, 8 de outubro de 2008

O Matador [2006]


Ele vem caminhando lentamente entre os olhares fulminantes e muros pixados. Para, puxa do bolso da camisa um cigarro que enfia entre os dentes, no canto esquerdo da boca, e o acende. Volta seu olhar para o nada, sabe que está sendo notado, talvez por isso deixa escapar um sorriso irônico.
Não importa onde ele estiver; numa rua iluminada no centro da cidade ou num beco sujo e escuro do subúrbio, é sempre assim. As pessoas o olham como se fosse a escória da sociedade, e é isso que ele realmente é, orgulha-se disso. Não se mete com a corja estúpida e ignorante que o julga com olhos cheios de terror e medo... e inveja talvez. Desconfio que inveja e hipocrisia andam de mãos dadas.
O fato dele caminhar nas ruas à noite só aumenta sua aura de mistério, não se expor além do nescessário é mais um charme. Um anti-herói com seus olhos nublados e opacos; obviamente funcionam melhor à luz da lua, ou sob o neon vermelho das espeluncas que servem whisky barato. Já sua voz rouca e grave funciona melhor na penumbra, seja na cama de uma prostituta viciada ou ameaçando um cretino qualquer com sua nove milímetros, que carrega na lateral do seu cinto.
Como num filme noir dos anos trinta ou quarenta, a madrugada é a hora perfeita para ele fazer o seu show, onde é o ator e também, quase sempre, a platéia; quando não há testemunhas. - Mortos são coadjuvantes.
Ele sabe como agir, afinal é só mais uma noite como outra qualquer, já o fez inúmeras vezes, só rotina... Por isso permanece frio, impassível. Tira seu frasco de whisky do bolso da jaqueta de couro e engole todo o conteúdo de uma vez só. Mais um cigarro mata-ratos. Saca sua arma e pensa como tem sido os últimos longos anos de sua vida. Essa é sua última missão, nada mais importa... BANG!
O barulho do corpo caindo na calçada, o sangue escorrendo pela sargeta, a arma abandonada pela mão que puxou o gatilho, e assim nasce mais uma rosa negra no inferno.

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