O Advogado está sentado com sua última dose de whisky. Ninguém retorna seus telefonemas. Estão todos convenientemente incomunicáveis. Ficar isolado mexe com a mente.
Lá fora, a imprensa já montou seu circo - como um bando de parasitas esperando um espetáculo. A pasta que aquele jornalista cretino recebeu das mãos de um certo detetive de merda, ganhou as manchetes. O advogado se tornou mais um bode espiatório.
As luzes estão apagadas. O horário de expediente já acabou à muito. Ele observa, pelas frestas da persiana, a movimentação em frente ao seu prédio, e vê quando o comissário de polícia resolve subir com um mandado nas mãos.
O advogado pisa com prazer os estilhaços do seu copo vazio. Afunda o cigarro num cinzeiro abarrotado que transborda em sua mesa. Tira uma chave da caixa de charutos e abre a última gaveta de sua escrivaninha.
Ele ouve a voz lamurienta da sua secretária, por trás da porta:
- É sua mulher no telefone, Dr. Ela está chorando...
- Me deixem em paz todos vocês... - Responde cansado.
"Então é isso." - ele pensa enquanto ouve o estardalhaço que a polícia faz ao subir as escadas que levam à sua porta. Com a arma na mão ele se reclina em sua cadeira, em meio à penumbra do seu escritório.
- Abra, Senhor! Não tem pra oinde ir...
Ele tem sim.
BANG!
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