Ele esfregou o talho no lado esquerdo da testa de onde o sangue esguichava como suco de tomate. Levantou e sentiu as pernas enfraquecerem outra vez. Se arrastou pelo piso gelado do banheiro e estancou de frente ao espelho; Buceta! - Pensou ele.
Tinha aberto uma buceta profunda na cabeça - menstruada, cobrindo sua cara de sangue podre. O banheiro girava. Sentiu que ia cair novamente e se segurou na pia. Não perdeu tanto sangue assim mas o alcóol ajudava.
A Luger que ele segurava estava pegajosa e pesada demais. Lentamente seus dedos foram se aflorando e a arma escorregou, espaldando no chão por cima do sangue seco. Com um sorriso ele descobriu que tinha perdido um dente, mas a bala que se alojou no crânio daquele filho da puta caído na banheira não poderia sair dali tão facilmente.
Pensou em sua mulher, seus dois filhos. Pensou nos tiras e a cadeia e não teve mais dúvida sobre o que deveria fazer.
Ajoelhou junto à banheira e puxou do bolso da calça sua navalha, segurando firme a cabeça do presunto pelo couro cabeludo, e enterrou a lâmina no buraco por onde a bala havia entrado, sentindo asco pelo resto de sangue preto que ejaculava dali. Afundou cerca de dez centímetros até sentir o objeto de metal cilíndrico enterrado na massa cinzenta do cadáver. Puta merda! - Bufou.
Enfiou os dedos naquele cu artificial e puxou a bala até ve-la reluzente sob a luz mortiça do banheiro. Seu suor se misturava com o sangue que escorria de sua testa e pingava na cara do morto como uma chuva escarlate.