quarta-feira, 18 de abril de 2012

Nota Suicida

O sangue que escorre pelo braço, goteja sobre o teclado. É escuro e espesso. Fede. Uma poça se formou entre as letras "a", "s" e "d". E na tela do computador a página em branco rindo da minha cara... Meus dedos ezitam sobre as teclas. Os olhos correm os titúlos de outros mortos na estante. Tudo está embassado.
Tenho pouco tempo, então vamos logo com essa porra. Ele escorre vermelho escarlate pelas minhas mãos.
Difícil resumir todos os anos de tédio e tristeza dessa vida patética. Todas as lágrimas pela cerveja derramada ou pela boceta não comida. As gargalhadas de desespero e sorrisos amarelos, para pessoas que não me importam em situações em que estive pouco me fodendo... dias e horas e segundos que esperei em vão por qualquer merda, trabalhei por porra nenhuma e fiquei puto sem qualquer razão. Tudo isso para acabar aqui. Assim.
Tenho que terminar logo com isso. Minha cabeça pende sobre a escrivaninha e sinto nos pés o sangue quente vertendo das minhas mãos. Reúno as últimas forças para escrever enquanto meus nove dedos jazem inertes sobre o assoalho ensanguentado. Tudo o que posso deixar é uma sentença:
Foda-se.

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